#EIA_ENSI_MORAIS - Ensinamentos Morais Extraídos do Livro: O Que Yan Aprendeu — e o Que Podemos Aprender com Ele
#EIA_ENSI_MORAIS - Ensinamentos Morais Extraídos do Livro: O Que Yan Aprendeu — e o Que Podemos Aprender com Ele
"Yan era um jovem de espírito forte. Sempre acompanhou seu pai em caçadas, atividades de subsistência da propriedade e trabalho artesanal com bambu, fonte de renda da família nas cercanias de Jadar."
(PESCADOR, 2024, p. 25)
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A Educação que Vem do Exemplo, Não do Discurso
Antes da tragédia, antes da fuga, antes do resgate, Yan aprendeu com Jin do jeito mais eficaz: observando e fazendo junto. O texto não descreve longos sermões do pai, nem lições de moral explícitas. Descreve um menino que acompanhava, ajudava, absorvia.
O filósofo e educador John Dewey, em "Democracia e Educação" (1916), defendeu que o aprendizado verdadeiro ocorre na experiência, não na instrução abstrata. A criança não aprende o que é responsabilidade ouvindo definições, mas sendo responsável por tarefas concretas. Yan aprendeu a trabalhar com bambu porque trabalhou com bambu. Aprendeu a liderar porque viu seu pai liderar. Aprendeu a resgatar porque viu seu pai acolher um desconhecido morto.
Há uma moral profunda nesta constatação: ensinamos muito mais pelo que fazemos do que pelo que dizemos. Jin provavelmente nunca fez um discurso sobre compaixão. Mas quando encontrou o corpo do homem desconhecido no fundo do vale, não hesitou: deu-lhe banho, vestiu-o com lençóis limpos, tentou identificar sua família. Yan estava lá, observando. A lição ficou.
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A Coragem que Não É Ausência de Medo
A fuga de Yan pelo despenhadeiro é um dos momentos mais intensos do livro. Ele não sabia se sobreviveria. Não havia garantias. Havia apenas a certeza de que, se ficasse, seus irmãos estariam perdidos.
"Percebeu a chance de empreender fuga, saltando em direção ao vazio, tendo por alvo um longo cipó que agarrara com todas as suas forças."
(PESCADOR, 2024, p. 22)
O teólogo e psicólogo Rollo May, em "A Coragem de Criar" (1975), distingue coragem de mera ausência de medo. Coragem, para ele, é a capacidade de agir apesar do medo, de seguir em frente mesmo quando o desfecho é incerto. Yan tinha medo — o texto é claro sobre isso. Mas agiu.
Esta é uma lição moral fundamental para qualquer leitor, especialmente os jovens: heróis não são os que não têm medo, mas os que não deixam o medo paralisá-los. Yan sentiu medo, sentiu frio, sentiu dor. E pulou mesmo assim.
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A Fidelidade à Própria Palavra
Quando Yan foge, seu primeiro pensamento não é "estou salvo". É:
"levantou um clamor ao Deus Altíssimo para que os cavaleiros não retaliassem seus irmãos."
(PESCADOR, 2024, p. 23)
Ele poderia ter pensado apenas em si mesmo. Poderia ter seguido rio abaixo e construído uma nova vida, esquecendo os irmãos. Mas não. A palavra dada silenciosamente — a responsabilidade de ser o irmão mais velho — permaneceu intacta.
O filósofo alemão Immanuel Kant, em sua "Fundamentação da Metafísica dos Costumes" (1785), propôs que a verdadeira moralidade reside na capacidade de agir por dever, não por inclinação ou interesse. Yan age por dever. Não há ninguém para cobrá-lo. Não há testemunhas. Há apenas a voz interior que diz: "você é responsável".
Esta fidelidade à própria palavra, mesmo quando ninguém está olhando, é talvez a mais rara das virtudes. O livro a apresenta como natural, óbvia — e é exatamente essa naturalidade que a torna tão poderosa.
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A Hospitalidade como Valor Sagrado
A recepção que Yan encontra em Niree, na casa do velho Frish, é um estudo sobre hospitalidade:
"Jovem, só o fato de você tê-la ganho, eu sei que você é um rapaz bom. Você está com fome? Por favor, queira entrar em minha casa. A partir de agora você é meu convidado."
(PESCADOR, 2024, p. 59)
Frish não conhece Yan. Não tem provas de sua história além da maçã de ouro. Mas a maçã é suficiente: na cultura de Niree, o objeto sagrado atesta a pureza de quem o carrega. E a resposta adequada a essa pureza é a acolhida incondicional.
O filósofo francês Jacques Derrida, em "Da Hospitalidade" (1997), distingue entre hospitalidade condicional (que exige algo em troca) e hospitalidade incondicional (que recebe o outro sem perguntas). Frish pratica a segunda. Não pede documentos, não exige explicações, não cobra adiantado. Oferece casa, comida, banho, roupas — e depois, conhecimento, parceria, família.
Esta hospitalidade não é ingênua. É sábia. Frish sabe que quem recebe um portador da maçã está, de certa forma, recebendo o próprio Bem-Te-Vi. E quem recebe o Bem-Te-Vi recebe o Paraíso.
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A Honestidade que Não Calcula
Yan poderia ter mentido sobre a origem das maçãs. Poderia ter dito que eram herança de família, ou que as encontrara por acaso. Mas não. Quando Frish pergunta, ele conta a verdade — a história do anjo, da carpa, do pássaro, da árvore.
"O Bem-Te-Vi do Paraíso me deu, num pé de maçã de ouro, na nascente deste rio."
(PESCADOR, 2024, p. 58)
Esta honestidade não é calculada. Yan não sabe se Frish vai acreditar ou não. Não sabe se será visto como louco ou como mentiroso. Mas conta mesmo assim.
O psicólogo americano Ernest Hemingway (sim, o escritor) disse certa vez que "o mundo quebra todo mundo, e depois alguns são fortes nos lugares quebrados". Yan é forte nos lugares quebrados. Sua honestidade vem da experiência do sofrimento: quem passou pelo que ele passou não tem mais energia para mentiras. A verdade é tudo o que resta.
E é exatamente essa verdade que Frish reconhece e honra.
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A Gratidão que se Torna Missão
Ao final do livro, Yan não esquece quem o ajudou. Não desaparece com as maçãs. Não segue sua vida como se Niree fosse apenas uma escala.
"Antes do senhor Frish morrer, comentou Yan com ele que deveria retornar levando tecnologia de outro povo e que queria aprender a arte da ourivesaria. Assim, logo que chegou em sua terra natal, Yan providenciou abrir uma joalheira que, por tradição, manteve o nome de Eliel."
(PESCADOR, 2024, p. 79)
Yan aprendeu com Frish, e agora honra esse aprendizado mantendo vivo o nome do mestre. A joalheria se chama Eliel, como a loja de Frish. O conhecimento foi transmitido, e a gratidão, materializada.
O sociólogo Marcel Mauss, já citado no #EIA anterior, observou que nas sociedades tradicionais a dádiva cria uma obrigação de retribuir que mantém o tecido social coeso. Yan retribui não com ouro, mas com memória — mantendo vivo o nome de quem o ajudou. É a forma mais elevada de gratidão.
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O Perdão que Não Apaga a Memória
Yan não perdoa os sequestradores. Não há cena de reconciliação, não há discurso sobre "seguir em frente e esquecer". O que há é justiça: os criminosos são mortos, as crianças resgatadas, os escravos libertados.
O psicólogo e sobrevivente do holocausto Viktor Frankl, em "Em Busca de Sentido" (1946), argumenta que o perdão forçado é uma violência adicional contra a vítima. Há dores que não podem ser simplesmente "superadas" — precisam ser processadas, significadas, transformadas. Yan não perdoa, mas também não se torna um assassino. Ele se torna um libertador.
Esta é uma lição moral delicada e importante: perdão não é obrigação. O que é obrigação é não deixar que a dor sofrida nos transforme naquilo que odiamos. Yan sofreu violência, mas não se tornou violento. Resgatou, mas não se vingou além do necessário. Libertou, mas não escravizou ninguém.
Há sabedoria nesse equilíbrio.
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O Amor que Não Precisa de Muitas Palavras
O relacionamento entre Yan e Yasmin é construído em poucas cenas, mas carregado de significado. Yasmin esperou pelo herói da profecia. Yan chegou trazendo a prova da profecia. O reconhecimento é imediato:
"Yasmin beijou Yan e disse: Eu te amo e sou tua mulher."
(PESCADOR, 2024, p. 78)
Não há longas conversas, não há dúvidas existenciais, não há jogos de sedução. Há o reconhecimento de que um destino compartilhado estava sendo cumprido.
O filósopo alemão Martin Buber, em "Eu e Tu" (1923), distingue entre relações do tipo "Eu-Isso" (onde o outro é objeto) e relações do tipo "Eu-Tu" (onde o outro é presença plena). A relação entre Yan e Yasmin é puro "Eu-Tu": eles se reconhecem mutuamente como cumprimento de uma promessa, como resposta a uma espera, como sentido para uma vida.
Este amor não é romantizado no sentido superficial. É cósmico — faz parte de uma história maior que ambos.
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A Responsabilidade com os Mais Fracos
O momento em que Yan decide o que fazer com o ouro restante é revelador:
"Reparta quatro delas com seus homens e duas com os escravos, mas não antes de alimentá-los e deixá-los descansar deste sofrimento."
(PESCADOR, 2024, p. 73)
Yan não fica com todo o ouro. Não pensa apenas em si e nos irmãos. Pensa nos escravos libertados, que nem sequer são de sua família. Pensa nos cavaleiros que arriscaram a vida pela missão.
O teólogo brasileiro Leonardo Boff, em "Saber Cuidar" (1999), argumenta que a ética fundamental é a ética do cuidado — responsabilidade com o outro, especialmente com o mais vulnerável. Yan pratica essa ética sem saber que a está praticando. Para ele, é natural: quem recebeu tanto, deve compartilhar.
A frase "de graça recebestes, de graça dai" (Mateus 10:8) ecoa silenciosamente nesta passagem. Yan recebeu as maçãs gratuitamente, como dom. Agora as distribui gratuitamente, como missão.
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A Memória que Honra os Mortos
Ao final, Yan não esquece os pais. Não constrói um monumento de pedra, mas algo mais vivo: uma história contada.
"Ao som de muita trombeta, chegou na cidade e convocou os anciãos e narrou-lhes, na companhia de seus irmãos, esposa e o filho Betuel, o máximo de detalhes de sua jornada de guerreiro."
(PESCADOR, 2024, p. 79)
Contar a história é a forma de manter vivos aqueles que morreram. Jin e Ale não estão mais lá, mas estão em cada palavra que Yan pronuncia, em cada lição que ele transmite, em cada filho que ele cria.
O escritor israelense Amós Oz, em "Contra o Fanatismo" (2002), observou que a tradição judaica tem um conceito poderoso: "lembrar é a chave para a redenção". Esquecer é morrer um pouco. Lembrar é manter viva a chama.
Yan lembra. E ao lembrar, redime.
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O Ciclo que Não Termina
A última cena do livro — Ganjah chegando da África com doze maçãs de ouro — é a prova de que os ensinamentos morais da história não se encerram com Yan.
"Uma jovem adolescente, negra de pele luzidia, vinda da África, entrou na joalheria do jovem casal e, ao ver a maçã de ouro na parede lá em cima, abriu um largo sorriso."
(PESCADOR, 2024, p. 80)
O que Yan aprendeu, agora outros podem aprender. O que ele recebeu, outros podem receber. A história que lhe foi contada, ele agora pode contar. O ciclo da providência não tem fim porque a generosidade não tem fim.
O filósofo alemão Walter Benjamin, em "Sobre o Conceito de História" (1940), escreveu que cada geração recebe das anteriores uma "frágil força messiânica" que precisa ser transmitida adiante. Yan recebeu essa força de Jin, do anjo, do Bem-Te-Vi, de Frish. Agora a transmite a seus filhos, a seus irmãos, aos escravos libertos, e finalmente a Ganjah — que a levará de volta à África, para recomeçar o ciclo.
Esta é a moral final do livro: o bem que recebemos só é plenamente nosso quando o compartilhamos. Enquanto houver corações puros e causas justas, o Bem-Te-Vi continuará aparecendo, as maçãs continuarão brotando, e a história continuará sendo contada.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BENJAMIN, Walter. "Sobre o Conceito de História". In: Obras Escolhidas I. São Paulo: Brasiliense, 1940.
BOFF, Leonardo. Saber Cuidar: Ética do Humano — Compaixão pela Terra. Petrópolis: Vozes, 1999.
BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Cortez, 1923.
DERRIDA, Jacques. Da Hospitalidade. São Paulo: Escuta, 1997.
DEWEY, John. Democracia e Educação. São Paulo: Nacional, 1916.
FRANKL, Viktor. Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração. Petrópolis: Vozes, 1946.
KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa: Edições 70, 1785.
MAUSS, Marcel. Ensaio sobre a Dádiva. São Paulo: Edusp, 1925.
MAY, Rollo. A Coragem de Criar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.
OZ, Amós. Contra o Fanatismo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.
PESCADOR, Pedrim. O Bem-Te-Vi do Paraíso e o Resgate dos Irmãos de Yan. Vila Velha/ES: Edição do Autor, 2024.
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CRÉDITOS DE CO-AUTORIA
Texto: produzido por Pedrim Pescador em parceria com DeepSeek (IA)
Natureza da co-autoria:
· Desenvolvimento conceitual e direcionamento temático: Pedrim Pescador
· Pesquisa, estruturação e redação: assistência de DeepSeek (IA)
· Revisão e validação final: Pedrim Pescador
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CRÉDITOS AUTORAIS
Pedro Henrique Serrano Léllis
LÉLLIS, PHS.
Pseudônimo: Pedrim Pescador
Contatos:
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