PPES_01_BTV - Capítulo 07 - A Negociação

 Capítulo 07 – A Negociação

- Viemos de uma terra distante e soubemos que vocês tem escravos para vender. (Disse Dap, o segurança do senhor Frish).

- Não há escravos aqui, somos fazendeiros anônimos que se juntaram nessa terra para lavrar porcos.

- Me vende um porco então.

- Não temos porcos.

- Vocês têm galinha então? Ou vocês venderam os porcos tudo?

- Vendemos todos os porcos, ontem, para um forasteiro que passou aqui por perto.

- E cadê o dinheiro?

- Vocês são compradores de escravos ou assaltantes? Por que se vocês não sabem nós estamos fortemente armados e somos destros na luta.

- Fazendeiros anônimos são pacíficos e não andam armados. (Suspeitou Dap). Quero comprar toicinho de porco. 

- Não temos.

- Focinho?

- Não temos.

- Banha de porco vocês devem ter!

- Não temos!

- Não é possível, como vocês cozinham se porcos só são lavrados para usar sua gordura, já que sua carne é imunda e ninguém come essa p*&%? Tá estranho e eu não estou gostando nada disso. Cadê os escravos?

Ao som das vozes alteradas ecoando por aí, outros homens do bando criminoso se aproximaram da porteira, armados com facões, foices e chicotes.

- Não temos escravos! Homens, retirem estes caras daqui. Vocês não vão querer lutar conosco, né? Estamos em onze e vocês são só dois.

Dap tocou a trombeta, fazendo-a retinir e uma tropa com setenta e cinco cavaleiros, todos armados e muito bem treinados, chegou instantaneamente, estremecendo a gangue.

- Quem está em maior número agora? Entreguem suas armas. Viemos resgatar seis crianças que vocês sequestraram na terra de Jadar, e não se façam de sonsos. Vamos pagar o resgate com ouro puro. Você já pegou uma maçã de ouro antes? (Exibindo-a de longe para o criminoso, Dap lançou-a para ele, que a pegou).

- Quanto de ouro tem aqui?

- Exatamente quatrocentos e vinte gramas.

- É muito pouco.

- Não nos faça matar vocês. Somos homens honrosos e viajamos quarenta e cinco dias para resgatar essas crianças. Temos mais maçãs de ouro como esta. Vejam. (Dap reitrou outras maçãs da bolsa e foi lançando-as na direção dos criminosos). Aí estão, seis maçãs, uma para cada criança.

- Mas você só jogou cinco.

- A sexta está na minha mão. Vocês já tem dois quilos e cem gramas de ouro. Dá quase duzentas gramas para cada um.

Os criminosos se reuniram e consentiram em libertar as crianças e disseram entre si:

- Vamos devolver essas crianças, nunca vamos receber tanto dinheiro assim. A gente devolve elas e mete o pé. Abandona essa missão e esse calor infernal, tocando esses preguiçosos que a gente tem que enxotar igual jumentos monteses, estressando a gente e no final do dia nossas mãos doem de tantas chibatadas que temos que dar neles. Só essas crianças são obedientes e ainda não apanharam. Vai que Deus está salvando elas?

- Vamos devolver as crianças, mas queremos a sexta maçã. (Negociou o bando com Dap).

- Negativo. Somos muitos homens, precisamos comprar alimento para voltar para casa e eu prometi a eles que dividiria o ouro que sobrar como recompensa pelo esforço e pelos dias de viagem em que estão longe de suas terras, suas casas, suas mulheres e filhos. Tragam as crianças, mas não sem nós, para que não fujam com as maçãs e com elas!

Então Dap saltou com seu cavalo a cerca da propriedade, sendo seguido por todos os outros cavaleiros, os quais foram adentrando e encontraram uma gigantesca cratera aberta no chão, em curvas de nível e com muitas escadas de madeira, que davam acesso ao interior profundo do buraco.

Os escravos, ao verem tantos cavalos rodearem a cratera, vibraram de alegria, com gritos e aplausos, pois ao terem ouvido o retinir da trombeta, identificaram que um exército estava perto e que torceram para que fossem encontrados. Estavam por fim salvos.

Os criminosos foram todos decapitados, as maçãs de ouro recuperadas e as crianças encontradas, todas são e salvo. Era um total de trinta e nove escravos, de todas as raças e idades. Muitos deles fracos e doentes, todos com marcas de maus-tratos, como quem viveu na terra da aflição morreu esperança.

Dap devolveu as seis maçãs de ouro para Yan e lhe perguntou o que queria fazer, pois era Yan quem tinha sido escolhido por Deus para libertar aquele povo, não só seus irmãos, pois naquela época e região, a escravidão era considerada por todos desonrosa e abominável, pois todo trabalhador é digno de seu salário.

- Estes homens nem vão cobrar por terem vindo aqui. Estourar este garimpo ilegal e este cativeiro e libertar estas almas lhes será suas maiores recompensas.

- Eu já tenho uma maçã para mim e meus irmãos. Reparta quatro delas com seus homens e duas com os escravos, mas não antes de alimentá-los e deixa-los descansar deste sofrimento. Todos merecemos receber da graça de Deus. É graça sobre graça. De graça recebestes, de graça dai. Não é este o sacrifício de que o Senhor se agrada? Que destruamos as amarras da impiedade e levemos refrigério aos amargurados de espírito?

- Muito nobre da sua parte. (Disse Dap). Fique então com mais uma maçã de ouro e a guarde para ser testemunha dessa história.

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